quarta-feira, 31 de março de 2010

O Ato do Encontro

Canções, com frequencia, me capturam e me põem a trabalhar.
Aconteceu, mais uma vez, ontem, quando ouvi "Como dois e dois",
composição de Caetano Veloso, cantada por Roberto Carlos.
Pensei na letra, na música, na interpretação do cantor e... caí na psicanálise, e... na rede.
Pois, o efeito seguinte, foi a decisão de iniciar a atividade que, há tempo, vinha gestando.
Emergiu o nome do blog e o viés através do qual desejava tratar o meu tema: a psicanálise.
Somar dois e dois e encontrar cinco, está quase certo, ou, completamente errado.
Posição incômoda, muito familiar ao sujeito que procura a psicanálise.

A canção, belíssima, talvez um soul, tem uma letra meio enigmática, repleta de antíteses
e, contextualizada, parece remeter à posição de Roberto Carlos diante da ditadura militar.
No entanto, a arte fica e os tiranos vão e, hoje, ninguém vai pensar em militares ao ouví-la.
Mas, o que mais me intrigava era esta curiosa parceria entre Caetano Veloso e Roberto Carlos.
Lembrei-me da estranhesa que ela provocou, a princípio, quando veio a público.
Roberto Carlos, um cantor de multidões, romântico, rei de uma música feita para o consumo fácil.
Caetano Veloso, um artista revolucionário, complexo, profundo, quase hermêtico em sua linguagem.
E a parceria era perfeita: canções lindas e interpretações emocionantes.

Lembrei-me de Lacan e de sua Topologia, especialmente, de uma figura: a banda de Moebius.
Uma estrutura topológica que dá conta de um espaço contínuo e não-orientado.
Para o psiquismo não há dentro ou fora, profundo ou superficial.
A presença de Roberto Carlos junto a Caetano Veloso faz uma torção na imagem do Rei.
O mesmo acontece com Caetano Veloso: o que se pensava dele fica retorcido.
A partir daí, o direito e o avesso passam a se encontrar em continuidade, numa margem única
que apoia, justamente, o paradoxo que associa a clareza ao enigma
Assim, o ato do encontro dos artistas fala muito mais a nós, em nossa dupla inscrição
consciente/inconsciente, do que podemos supor ao nos comovermos com a beleza da canção.

terça-feira, 30 de março de 2010

A Psicanálise na Rede


Tá quase certo!

Ou... tudo certo como 2 e 2 são 5.
Falta um 'tiquinho assim' para estar certo.

Ou... está completamente errado!
E trata-se de um grande equívoco.

A Psicanálise, hoje, não é uma terapêutica.
Ela acolhe o sintoma e aponta para a falta, a incompletude, a barra.
A barra entre natureza e cultura;
a barra entre significante e significado;
a barra entre mim e o Outro.

O analista se autoriza a si mesmo e entra na rede para apontar a trama.
Busca saídas e entradas nos furos e nos impasses.
Deseja apoiar-se na música, na poesia, no cinema, nas artes.
E procura parceiros, amigos, interlocutores.
Contemporâneos no espaço virtual : real, simbólico e imaginário.